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Dia 3 – Analisar o Passado para Construir um Impacto Duradouro

Hoje regressámos a dois dos nossos projectos mais antigos na Um Pequeno Gesto. Uma viagem pela memória que acabou por ser um dia cheio de planos para o futuro. Por vezes, é preciso dar alguns passos atrás para olhar em frente e reenergizar o futuro. E assim foi hoje.

Dançar com os mais pequenos

A Escolinha Flor da Infância é onde começou o nosso sonho do pré-escolar, em 2009. Com a generosa doação de um benemérito, conseguimos construir o nosso primeiro pré-escolar para acolher a Vóvó Etelvina, que ensinava as crianças debaixo de uma árvore. Hoje, a escola acolhe 70 crianças e, após o falecimento da “Vóvó”, ficou nas mãos da sua filha, Celeste. A transição para a nova geração não foi fácil, como tantas outras transições não são. Nos últimos anos, passámos por momentos difíceis, com falta de alimentos e insatisfação dos professores.

Hoje foi um alívio (e uma conquista) chegar à escola e encontrar as professoras a agradecer pela formação que estão a receber e pelos materiais que estamos a desenvolver, enquanto as cozinheiras acrescentavam um sincero agradecimento pela abundância de comida.

Missão cumprida? Ainda não.

Planear para o impacto

A alimentação e a educação completam os nossos dois primeiros pilares e, como em tudo, há mais trabalho a fazer para garantir um impacto global e duradouro na escola. Com uma estrutura mais organizada, torna-se inevitável sermos mais rigorosos na análise das nossas actividades e das nossas métricas, e assim tivemos hoje o nosso primeiro mergulho profundo da semana nos dois projectos que decorrem na escola. Alimentar, educar, equilibrar, acelerar, capacitar.

Discutimos cada actividade, o seu valor, as suas falhas e as suas conquistas. Beneficiando de uma equipa sólida, sabemos que temos um caminho a percorrer para envolver ainda mais as famílias das crianças e garantir que lhes damos ferramentas de desenvolvimento social para além da sala de aula. Mas sabemos que estamos no bom caminho. Se ao menos conseguíssemos financiamento para a manutenção da escola e tapar as infiltrações no telhado!

Pode parecer um pouco técnico passar tanto tempo fechado num escritório com blocos de notas e mapas de actividades, mas há uma parte de mim que sente um enorme orgulho pelo caminho que já percorremos. Passar tempo com as crianças é, sem dúvida, mais divertido, mas são as três horas que passámos a rever cada detalhe da escola e a planear o próximo ano que nos permitem realmente mudar as suas vidas. Orgulho-me de podermos agora olhar para o futuro, em vez de apenas resolver os problemas e “incêndios” do passado.

De volta às origens

A segunda paragem do dia foi na Escolinha do André, que, de certo modo, foi onde tudo começou. Não iniciei o programa de apadrinhamento por causa da Escolinha do André (foi antes com um grupo de órfãos na zona de Chiaquelane), mas foi nesta escola que vivi os quatro meses que mudaram a minha vida, em 2004. Fui voluntária nesta escola e foi aí que aprendi as bases do programa de apadrinhamento, que entrei em contacto com o dia-a-dia das crianças e percebi que podia fazer muito mais.

Essa foi a história que partilhei com as cerca de 50 crianças e pais que estavam na escola para me receber. Como a parceria tinha enfraquecido nos últimos anos, não tinha conseguido encontrá-los pessoalmente, por isso foi bom poder partilhar a história e também explicar como esperamos que o apadrinhamento funcione. No fim de contas, nada acontece sem que a criança vá à escola. É aí que tudo tem de começar. Reforcei o meu discurso sobre cada criança e cada família escolherem se querem fazer parte desta oportunidade. Reiterei que não queríamos desistir, mesmo quando o comportamento não fosse o melhor, mas que, acima de tudo, tinham de querer fazer parte deste caminho.

Reacender antigas parcerias

Nos últimos anos, temos tido dificuldades em alcançar bons resultados com o Programa de Apadrinhamento nesta escola. Por isso, hoje sentámo-nos em equipa para rever todas as áreas onde sentimos que podemos fazer melhor. Mais uma vez, passámos algumas horas a analisar a lista de desafios, o que fazemos noutros projectos e que boas práticas podemos trazer para aqui.

Uma parte essencial da nossa conversa foi chegar ao cerne das dificuldades. As boas práticas são fundamentais, especialmente após 20 anos de actividade, mas o outro lado da equação é compreender o contexto local e perceber como é diferente de qualquer outro onde operamos. Xai-Xai, onde se situa a escola, é uma verdadeira cidade — com todas as distrações e desafios acrescidos de manter as crianças fora das ruas, de pedir ou vender em mercados informais. Seja por vontade própria ou por imposição dos pais. É essa compreensão cultural que nos permite identificar o que podemos fazer a seguir.

Ao voltarmos a percorrer os nossos pilares, algumas acções imediatas tornaram-se claras. Sabemos que precisamos de atacar primeiro a assiduidade escolar e o interesse das famílias. Anotámos a necessidade de publicar regras básicas para entregar às famílias e relembrar todos do que estamos a tentar alcançar. As restantes actividades, ligadas à intervenção infantil, apoio pós-escolar e actividades sociais e culturais, terão de esperar — mesmo que queiramos mantê-las no horizonte. Discutimos como podemos trabalhar melhor em conjunto e surgiu uma centelha de esperança na possibilidade de reacender uma nova forma de parceria com as irmãs da escola. Senti um calorzinho extra no coração.

Há 20 anos escrevi uma canção para a escola. Dizia algo como:

“Um dia estive perdido, e depois encontrei
que havia um lugar para mim na Escolinha do André.”

Esse é o espírito que queremos reacender em cada criança e em cada família. E parece agora mais possível do que nunca, enquanto equipa unida.

Voltar atrás no tempo tem as suas vantagens. É ao analisar e refletir sobre como as coisas evoluíram que conseguimos ver onde as encruzilhadas nos levaram por caminhos diferentes. É também a melhor oportunidade para termos conversas autênticas sobre o que podemos fazer de forma diferente. E assim, podemos olhar para o futuro.

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