
Este ano, decidimos transformar o habitual encontro anual dos nossos Bolseiros Universitários em algo diferente. Em vez de nos reunirmos numa sala, levámo-los até à praia — um lugar que muitos deles nunca tinham tido oportunidade de conhecer. Para alguns, foi mesmo a primeira vez a ver o mar. E esse momento, só por si, já justificava todo o dia.
Chegámos com comida, água e várias capulanas para nos sentarmos em círculo, como uma grande família. A brisa do mar, o som das ondas e a alegria nos rostos deram o tom a uma tarde que prometia ser especial.
A conversa começou com uma reflexão sobre oportunidades. Muitos dos nossos bolseiros vêm de contextos onde estudar é um “privilégio” quase inalcançável. Alguns cresceram em casas instáveis, outros em zonas tão remotas que sonhar com a universidade parecia impossível. Mas ali estavam — sentados na areia, a olhar o mar pela primeira vez, a celebrar um percurso construído com esforço, foco e muita coragem.
Falámos também sobre responsabilidade. A oportunidade é deles — e só deles.
Depois foi a vez dos “caloiros”, partilharem como tem sido o início desta nova fase. A mudança para a cidade continua a ser um grande desafio: deixar as comunidades pequenas, viver longe da família, aprender a orientar-se sozinhos. Mas, ali, encontraram uma nova tribo — um grupo que os acolhe e apoia.
Seguiram-se os finalistas e recém-graduados, que passaram o testemunho. Contaram desafios, conquistas e até histórias que fizeram o grupo rir — como duas futuras enfermeiras confessarem que tinham pânico de agulhas antes de entrar no curso. Partilharam medos, quedas e vitórias, lembrando aos novos que todos enfrentam dificuldades, e que isso faz parte do caminho.
Entre conversas, gargalhadas, fotografias e brincadeiras à beira-mar, um sentimento ficou evidente: este grupo está a construir laços para a vida. São jovens resilientes, determinados e cheios de sonhos — e é impossível não acreditar no futuro quando se está rodeado deles.
E, enquanto alguns molhavam os pés no mar pela primeira vez, percebemos que aquele encontro simbolizava muito mais do que um simples dia na praia. Era um lembrete de que, apesar das dificuldades, eles chegaram até aqui. E que podem ir ainda mais longe.
