Como Ajudar

Apadrinhe uma criança

Seja Padrinho/Madrinha de uma criança Moçambicana e dê-lhe a possibilidade de um futuro melhor!

Como Ajudar

Faça o seu donativo

Pode fazer o seu donativo através do nosso formulário, associado aos serviços da pagamento da IfThenPay, ou débito direto! IBAN: PT50 0033 0000 4534 0042 447 05 MB Way: 915 858 365

Como Ajudar

Associe-se a um projeto

Junte-se a um grupo, fora ou dentro, da sua empresa e apadrinhe de forma total ou parcial um dos nossos projetos. Comprometemos-nos a dar com regularidade toda a informação detalhada e personalizada sobre o projeto que decidir apoiar.

Como Ajudar

Transforme a sua multa!

Sabia que pode doar o valor da sua multa ou contraordenação a favor da Um Pequeno Gesto?

Dia 6 – O poder da paciência

Ao chegar ao dia 6 desta viagem, começo a questionar-me se não estarei a ser repetitiva. O poder individual, o trabalho em parceria, a importância da mudança e o valor de sonhar — depois do meu dia na escola Santa Luísa de Marilac, podia falar sobre qualquer um destes temas, e todos fariam sentido. No entanto, hoje, há uma virtude que sobressai mais uma vez — o poder da paciência.

O trabalho de desenvolvimento é um jogo a longo prazo

A verdade é que a mudança intergeracional demora tempo. Por definição, mais do que uma geração. E é esse o jogo em que estamos envolvidos. Enquanto hoje combatemos a pobreza dando comida às crianças e garantindo que vão à escola, o verdadeiro objetivo é que oas crianças das nossas crianças já não precisem de nós.

Com todos os avanços e recuos, desistências aqui, gravidezes ali, é preciso uma grande dose de paciência para perseverar com a crença de que, no fim da jornada, haverá sucesso.

“O sucesso não será de 100%. Na verdade, será bastante inferior a isso, mas as vidas que mudamos, mudamos verdadeiramente para sempre.”

A principal métrica será a eficácia, mais do que a eficiência. Embora não possamos deixar de medir ambas, é a mudança sustentável a longo prazo que realmente procuramos.

Conversas pacientes

Mais cedo, sentámo-nos em equipa na escola. Segue-se o protocolo: o coordenador local abre a reunião, depois o coordenador nacional, e só então eu. Depois disso, convido as pessoas a participar e a falar — e espero. É preciso saber lidar com os momentos de silêncio e resistir à tentação de tirar conclusões precipitadas. Também não é preciso repetir o pedido e insistir para que falem. Ouviram-te da primeira vez. Ainda bem que fiz aquele pequeno curso de coaching e aprendi a regra dos 7 segundos. Aqui, em algumas equipas, é mais provável que a regra seja dos 3 minutos.

Este formato assenta numa escolha cuidadosa das palavras (algo pouco comum em muitas das minhas interações diárias em casa) e em normas culturais profundamente enraizadas que nem sempre compreendo. Mesmo quando alguém começa a falar, demora o seu tempo a cumprimentar todos, a agradecer as intervenções anteriores ou o trabalho dos colegas. Quando finalmente pensas que terminaram e já não têm mais nada a dizer, é aí que começa a conversa verdadeiramente significativa.

Aprendi também que não devo responder a cada pessoa no momento. É preciso deixar todos falar primeiro. Parte disso é protocolo, mas, do meu ponto de vista, obriga-me a absorver cada mensagem até ao fim, a anotá-la e só depois responder, focando-me no que realmente importa — de forma clara e sucinta. Paciência é, mais uma vez, a palavra de ordem.

O tempo exige paciência

Para além destas conversas, a paciência manifesta-se também ao longo do tempo — no próprio trabalho, nas vidas que tocamos e nos resultados que esperamos alcançar.

Perante os diferentes desafios que surgem, é tentador querer mudar de rumo constantemente. E embora eu defenda a flexibilidade e o aprender com os erros, aprendi também que não se podem tirar conclusões tão depressa quanto gostaríamos, sobretudo no ritmo das nossas vidas ocidentais.

“Trabalhar no terreno exige paciência para realmente chegar à origem dos problemas e permitir que os sucessos emerjam, mesmo quando parece que não.”

É preciso tempo para nos sentarmos com a equipa, com as famílias e com a criança. E depois voltar a fazê-lo mais algumas vezes. As conversas não resolvem um problema à primeira tentativa — nem é esse o seu propósito. Afinal, estamos apenas a tentar compreender a situação. Só depois de várias tentativas é possível passar à fase de resolução — ou melhor, de experimentação de soluções. É necessário tempo para ver os resultados das nossas ações. E paciência.

Costumo dizer aos meus filhos que precisam de ser mais pacientes. Eles não acreditam que a paciência seja, de facto, uma competência. Estando aqui, recordo-me de que a minha própria paciência ainda pode crescer muito. Aprendi a não interromper e quase sempre a seguir o protocolo, mas percebi também que esse mesmo protocolo existe para criar uma estrutura de escuta ativa e de respostas ponderadas.

O poder da paciência lembra-nos que a mudança profunda leva tempo. Esse é o verdadeiro rosto do trabalho de desenvolvimento — aquele que procura soluções duradouras em vez de respostas imediatas, que se dedica a compreender a realidade e que sabe esperar para avaliar os resultados. Todos nós poderíamos usar um pouco mais deste estilo nas nossas vidas.

Doar aqui!

Continue a ler sobre